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História e Meio Ambiente

José Tadeu Coleti(1)

A história da Fazenda São Judas se confunde com a história do próprio município de Ipeúna , cujo nome lembra o ipê preto, uma referência à coloração do lenho de algumas espécies de ipê-amarelo, abundantes na região e que, ao florescerem na primavera, oferecem um espetáculo inigualável aos moradores e visitantes.

As terras ,onde hoje se situa a Fazenda São Judas, pertenciam, no final do séc.XIX ao Dr. Manuel Pessoa de Siqueira Campos e fazia parte da então Fazenda Santa Cruz da Invernada. Em 30 de março de 1897 um desmembramento da fazenda original da Santa Cruz da Invernada passou a ser de propriedade do sr. José da Silva Bueno, mais conhecido como Juca da Silva. A propriedade passou então a ser denominada Fazenda Ponte Nova, com uma área total de 825,82 ha .

Fig. 01 – Localização da Fazenda São Judas Tadeu (no destaque verde) dentro do município de Ipeúna e em relação ao Rio Passa-Cinco e Rio Cabeça.

 

Em 1942 a fazenda Ponte Nova passou por novo desmembramento, sendo dividida em 3 lotes: 1) o lote da COLÔNIA; 2) o lote da SEDE : contendo a sede original desse conjunto , continuando hoje com a denominação de Fazenda Ponte Nova; 3) o lote da Água Vermelha : atualmente denominado Fazendas Reunidas , ainda na posse de herdeiros de Juca da Silva.
Em 12 de janeiro de 1959 o lote da Colônia foi vendido para Antonio Coleti Sobrinho, quando foi batizado em Cartório como Fazenda São Judas Tadeu. O novo proprietário recebeu uma gleba integralmente dedicada à criação de gado , com algum remanescente do cultivo de cereais (milho e arroz). Fiel a sua tradição canavieira, Antonio iniciou o plantio da cana, instalou uma destilaria de aguardente cujas atividades foram encerradas em 1973 .
Hoje, decorridos 50 anos de posse, a Família Coleti pode comemorar a transformação por que passou a propriedade em termos de preservação de suas aguadas e da cobertura vegetal que as circunda. Dotada de uma natureza privilegiada, a propriedade conta com aguadas em abundância, com reserva florestal exuberante, com mata ciliar preservada em toda a extensão do Rio Passa-Cinco , que se constitui em marco de limite da fazenda em mais de 2.000 metros.
Aproveitando as belezas naturais , ao longo desses 50 anos cuidadosamente preservadas, no ano de 2000 foram demarcadas trilhas ecológicas que podem levar o visitante para o interior de uma mata povoada por jequitibás, paineiras, figueiras, guaiuviras, embaúbas, palmito Jussara e outras tantas espécies típicas da FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL, como é classificada esse tipo de mata. ESTACIONAL por apresentar aspecto que varia com as estações do ano, sendo a característica mais marcante o fato de parte das folhas caírem no inverno, daí o termo SEMIDECÍDUA.

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Fig. 02 – Aspecto geral do interior da mata, junto ao lago.

 

TRILHA DAS NASCENTES e LAGO : recebe essa denominação porque ela acontece em sintonia com o caminhar das águas que brotam no interior da mata. O visitante estará caminhando por entre pequenos obstáculos no curso do pequeno rio de águas cristalinas que formarão pequenas quedas dágua de até 2 metros de altura, culminando no imenso lago de 20.000 m2 , cujo espelho é circundado por extensa mata nativa preservada e intensificada pela plantação de mais de 5.000 exemplares de espécies nativas, tais como ipês, ingás, paineiras, cedros, calabura, canelinha, jambolão, entre outras.

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Fig. 03 - Lago formado pelo barramento de águas armazenadas, a partir das nascentes do interior da mata.


Fig. 04 – Detalhe do leito do córrego que alimenta o lago com pequenas quedas d’água.

 

MATA CILIAR DO PASSA-CINCO: A mata ciliar que acompanha o Rio Passa-cinco é bastante similar à encontrada na Mata das Nascentes. O que a diferencia é a presença de um sub-bosque mais denso e paredões maiores, belos exemplares do arenito Corumbataí . Em toda a divisa da fazenda São Judas toda a mata ciliar encontra-se muito bem conservada. Pode-se notar a presença de praias de areia fina e paredões às margens do rio, sendo que seu leito possui profundidades que variam de 1.20 a 1.80 metros, intercalado com trechos de areia e correnteza tranqüila, com trechos de pura rocha nos locais de corredeira mais forte.


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Fig. 05 – Vista panorâmica mostrando a ligação das águas da Fazenda São Judas Tadeu com as do Passa-Cinco através do corredor de mata ciliar.

 

Conclusão

A condução racional e inteligente de uma propriedade rural permite a sua sobrevivência como unidade produtiva e unidade preservadora do meio ambiente e recursos naturais. A história recente da Fazenda São Judas Tadeu isso demonstra. Por outro lado, essa mesma experiência vem demonstrar que o preservar não significa imobilismo: a decisão de se barrar as águas das nascentes da mata original , o que aconteceu em 1981, proporcionou a formação de um extenso corredor vegetado entre a floresta original da fazenda e a mata ciliar do Rio Passa-Cinco, de modo a se constituir num excelente afluente do mesmo, coordenando a captação de águas de toda uma micro-bacia e conduzindo-as ao captador principal da região – o Rio Passa-Cinco. Nesse caso particular, temos a captação de águas numa propriedade agrícola que desemboca no Passa-cinco , que por sua vez se perde no rio Cabeça que vai levar as águas para o Rio Corumbataí , ingressando definitivamente na bacia do Piracicaba. A conjugação de efeitos positivos , de um lado a cultura da cana-de-açúcar, de característica marcantemente conservacionista , e de outro o cuidado com a preservação e implementação dos recursos naturais e ambientais proporcionou o desfrute de um cenário melhorado, apesar da exploração produtiva de uma gleba por quase 50 anos!!! Quem sabe , faz a hora, não espera acontecer !!!!imagem ipe amarelo

(1) Eng.Agrº. , co-proprietário e responsável técnico da Fazenda São Judas Tadeu, desde 1985